domingo, 25 de julho de 2010

terça-feira, 30 de março de 2010

Com ele eu atravesso as manhãs do mundo
Ele canta por mim as vozes do meu fundo


Quando juntos somos um, não tenho pai nem pátrio
Sou asa sem espaço em meu corpo o encaixo

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

domingo, 10 de janeiro de 2010




TARDE NO MAR

Tarde e moleza marolas e mascavo
Nada suponho nada sei nada respondo
Não sei o nome do mundo
E seu patrono

Leio jornais em branco folhas velhas
Cartas passadas notícias reviradas
Do que me valem as novas utopias
Se o que me traz o mar
É uma garrafa vazia.

sábado, 26 de dezembro de 2009

quinta-feira, 26 de novembro de 2009


NAVIOS

Venho ao cais esperar navios
Sucedem-se as altas vagas
Aceno sinais de estio
Às vesperas adiadas

Te aguardo e quando te espreito
Arrastam-se os segundos
O vento esticou o mundo
Nos cárceres dos estaleiro

Passam veios, horas largas
Nenhum sinal de teu fardo
Busco-te a cada entrada
O que me passas - passado.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009




O BEIJO



Levou-me sem feitas frases

Somente passo e camisa

Roubou-me um beijo de brisa

Na quadratura da tarde



Jogou-me contra a parede

Rasgou-me a blusa de linho

Roubou-me um beijo de vinho

Diante das aves vesgas



Puxou-me para seu fundo

Rompeu a rosa pirâmide

Roubou-me um beijo de sangue

E bateu asas no mundo.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009


Sátiro cavalo antigo

Sigo contigo

A dor das águas

Leva-me à estrada

Das mães de Luca

O mundo chora

Por minha culpa


Matei um rio

De imensas mágoas

Lancei palavras

Contra princípios

A flor do risco

Plantei nas casas

De madrugada

De bala em bala.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009


LIVRO DOS SERES

LUZ

Se a luz
de uma estrela morta
só agora
nos responde
porque não somos
a luz
de um tempo
de não sei onde?

Que mundo é esse
o real
que temos
à nossa frente
seríamos o passado
que retorna
simplesmente?

Ou então
só a lembrança
engano, repetição...

estaríamos sonhando
ou seríamos ilusão?

domingo, 4 de outubro de 2009

AMARES

Dize-me.
Toca pra mim
Quando sonhares
Canta
E chora
Teus trovares

Fala-me.
Vem pra mim
Quando me olhares
Vem
E fala
Teus chorares

Pede-me.
Voa pra mim
Quando me amares
Voa
E abre
Teus pomares.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009



foto Assis Melo

DICIONÁRIO DA LÍNGUA BELA


- I -

Estrelas de azul vertigem
Nada me dizem falam de si
Maior abismo cava-se aqui

- II -

Amor amor
Viestes vazio
Nada me luz
Nada me cio
Já não me entregas teu rio

Ontem selvagem
hoje sombrio
O que me trazes
Jornal da tarde
Secas folhagens
- horas de estio.



- III -





Das rochas escuto rimas
Deixo que passem pássaros
As palavras as vertigens
Não me aproprio ainda
Do seu imprevisto canto
Escalo a página em branco.




- IV -


O que será a noite noite cheia
Céu que incendeia e nada clara
Nada me fala se não senões
Astros borrões rostos distantes
Quasar pulsante - de nada sei.





terça-feira, 28 de julho de 2009


foto Assis Mello

Dê-me a palavra que invento um bosque

Pleno de repousos e grandes baobás

Sopre-me o verbo que verso o mote

Viagem sem norte vento de além mar.




terça-feira, 14 de julho de 2009


foto Assis Melo
O SILÊNCIO DO AMOR

Tenho em mim muitas palavras que não me dissestes ainda
Porquanto espero em vida as frases por ti guardadas

São sílabas sussurradas de páginas esperadas
Pois que se invento enrêdos é porque não me dizes nada

E foi enquanto me amavas a caravela piava
E uma aurora cantava versões de vozes ventadas

E outras mais que escutava os surdos da madrugada
Só tu não dizias nada e nada me perguntavas

Na hora em que me beijavas teus olhos por onde andavam?
Teus pensamentos e sonhos em que verões viajavam?

Se amou sem qualquer palavra é porque em mim não morava
Mas em furtivas ilhargas, deserto de sua lavra.

quinta-feira, 2 de julho de 2009


foto Assis Melo

IMAGINO


Imagino línguas de cães em meu vestido
Tocas meu corpo como se quebrasse um vidro
Lençóis da noite são as águas quentes
Que provocas com um beijo simplesmente

Imagino sombras secretas sobre um muro
Quando me abraças contra o portão escuro
A rara alfombra nos cobre de inverno
E eis que alcanço a glória do inferno.

segunda-feira, 22 de junho de 2009


NOITE MAGA

Andei contigo nas dunas
Nas páginas das areias
Pensei avistar sereias
Mas eram sóbrias escunas

E ao perguntar quem eras
O mar moveu seus navios
Olharam-me as éguas no cio
Voaram fêmeas sem sela

Enquanto me assombravas
Os sais trocavam segredos
Abraçava-me com medo
Torpor, o que me falavas

Então comecei morrer
Por tua mão de veludo
Que me levava entre surdos
No tênue amanhecer

Desmanches de beijo e vício
Aroma de folha e chuva
Teu sorriso atrás da curva
Na ponta do precipício

Longe vai a noite maga
Em seu palácio estranho
Não te decifro és sonho
A povoar minhas águas.

sábado, 6 de junho de 2009


PROSA CANORA
foto Assis Melo

Meus pensamentos nem sei
Vieram de estrelas tristes
Invento o que não existe
Para enganar minha alma

Invento a morte sem ossos
Escrevo auroras em lápides
Pastoro as águas da tarde
Para tecer mais um dia

Em minha roca sombria
Costuro uma blusa eterna
Colchas claras de lanterna
Para tecer mais um dia

Vou além da alta noite
Além das cruzes em quadras
Ausências extraviadas
Meu verso em ti amanhece.

VIOLONCELOS DA FLORESTA

Violoncelos da floresta
Tocam para o vazio
Sentados sobre as madeiras
De costas para o sombrio
Quem os aplaude: ninguém
O som que jamais se escuta
Ora tocam para o nada
Ora tocam para o nunca.