quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009


O MEU ESTRANHO AMOR

Um espectro que passa enquanto chora
Por minha ausência ele se consome

E quando chega vem como quem some
E bate as asas universo afora

É o meu estranho amor que longe mora
E dorme no altar da cabeceira

Quando me ama arde sem fogueira
Para partir na arca da memória

Foge com o sol e leva nossa estória
Tão docemente me acena uma vertigem

Sequencia de montanhas impossíveis
Escarpas adversas giratórias

Quando ele chega o mundo é uma sala acesa
O seu sorriso ofusca a cena da aurora

Não tarda ele se cala e vai embora
Para morar na plácida tristeza.

5 comentários:

Assis de Mello disse...

Poema lindo, triste.
Vou reler mil vezes.

HAIJIN disse...

Como é bom de se ver a poesia com o trato como deve ser.Hoje, a condição marginal da poesia, relativamente ao prestígio gozado por outras formas de linguagem no âmbito do embate cultural — e malgrado o risco de desaparição que tal marginalidade pressupõe —, obriga o poeta a assumir uma postura de maior autonomia crítica que, por sua vez, envolve também maior coragem intelectual e um ouvido sempre atento aos transes da diferença e da fragmentação do verdadeiro.
Desta maneira, a possível utilidade da poesia emerge cada vez mais dessa inutilidade a que ela foi relegada pelo mundo da mercadoria. Ronald Augusto dixit.
Quando se lê um poema desse, forjado na tradição, sem faltar a modernidade, é que nos vem a certeza de que nem tudo está perdido. Creio, firmemente, que a linguagem do sec.XXI será a da poesia. E, você, Denise Emmert, será uma das vozes a ser ouvida por muitos ouvidos e lida por olhos daqui e dálém mar. Parabéns, pela bela poesia que vem praticando.

Abraço amazônico

Anibal Beça

BAR DO BARDO disse...

Um certo tom de angústia, comum a todas as formas de amar.

É o acridoce mistério.

CRÍTICA NACIONAL disse...

Seu poema fala por mim. Diz aquilo que eu queria dizer, sente aquilo que bate no meu coração. Afinal, o amor tem tradução: poesia.

Obrigado Denise...

Lubi disse...

esse poema é lindo.