terça-feira, 23 de dezembro de 2008

A CHAMA SECRETA


Apareço nesta noite como um sol de asas
Venho dos pólos desmaiados e das florestas em brasa
Quando ardo sou uma espécie que agoniza
Quando sorrio é porque a grande árvore floresce

Anunciam-me os reis guardados e estamos num gueto
Mulheres descalças de seios de vento me embalam
Sou o beijo que elas já não pedem
O calor de seus ventres sem enredo
A cidade sonhada, o país estrelado, o lar aquecido,
O primeiro e o último filho

Sou a lanterna do cão sem olhos

Novos livros me inventam, revoluções me transformam
Mas passo pelos corredores do mar
Como um navio eterno
E a minha linguagem é a beleza das estrelas
Que atravessa os séculos

Sou o menino sagrado que riscou o céu
Para a paz sem riscos


... a chama secreta que acenderá as lareiras
das casas do inverno.

4 comentários:

lau siqueira disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
lau siqueira disse...

Coincidentemente, Denise, reproduzi um texto seu de "O inventor de enigmas", no meu blog e uma amiga informou do teu. E cá estou! Parabéns por tanta poesia. Dia desses o Tarancón esteve aqui cantando a "sua/nossa Lua". Coloquei um link para o seu blog lá no Poesia Sim, se não se importa. Beijos e um grande 2009.

Benny Franklin disse...

Simplesmente tocante e belo!

Poema à Vida!

Bjs

Benny Franklin

Assis de Mello disse...

Mestra, que poema mais lindo !!!
Estou lendo e relendo.
Chico