quarta-feira, 1 de outubro de 2008

LAMPADÁRIO - O novo livro de Denise Emmer - Caderno PROSA&VERSO


LAMPADÁRIO


Por Alexandre Bonafim


Há poetas que, no ardor de sua sincera vocação, entregam-se, sem receios, à aventura de sua escrita, fazendo da palavra aguda lâmina a vincar a vida. Para esses autores, escrever é um ato de ousadia, um perpétuo perigo, uma aventura na iminência constante dos desastres. Nesse sentido, para tais artistas, poesia jamais poderia ser piada, rascunho do banal, jogo lúdico de palavras ocas. A verdadeira poesia, de acordo com o código criativo desses poetas, é um comprometimento com o mais fundo e fatal que há no homem, é fuga em direção aos abismos, ao mistério fecundo de nossa condição. A essa categoria de escritores pertence Denise Emmer.Denise, em seu último livro, “Lampadário”, resgata, conforme Alexei Bueno, a alta música dos simbolistas. Com efeito, é válido lembrar os ensinamentos de Hugo Friedrich, em seu importante livro “A estrutura da lírica moderna”. Friedrich, ao analisar a obra de três grandes poetas franceses, Baudelaire, Rimbaud e Mallarmé, delineia o que seria a essência, as características fundamentais da poesia da modernidade. E, nesse sentido, constatamos pelas palavras de Friedrich que o moderno é indissociável do simbolismo, estética que ainda irriga a poesia do Ocidente, brindando-nos com obras de fecundo legado espiritual e estético. A poesia de Emmer está, portanto, imbuída pela espiritualidade simbolista. Daí a predileção, por parte da autora, pelos temas metafísicos, com os quais muito da melhor poesia se constrói. E, nesse sentido, ganhará contundência na obra da poeta carioca o tema da morte. A partir de suas reflexões sobre a morte (a poesia de Emmer não poderia deixar ser reflexiva, justamente por se tratar de uma escrita a tanger a filosofia), a poeta nos brinda com obras primas, tais como esse poema, cujo título é o do livro:
Minha mãe anda distante/Meu pai a leva nos braços/Avisto lençóis no espaço/Os avós já vão mais longe/Viajam todos num barco/Levados por um ciclone/Transitam vias sem nome/Que desembocam no frio/Onde estarão os antigos/Antepassados, os tios/As asas do irmão sombrio/Tudo é poeira e palavra/Haverá além do nada/Um povoado abstrato?/Já não me bastam retratos/Se não me cabe o silêncio.
Alexandre Bonafim é poeta e doutorando em literatura portguesa na USP
Opiniões:
(...)Na lição de uma arte poética pura e segura eleva-se uma voz inconfundível, a de Denise Emmer. Ao mesmo tempo magoada e confiante,ela celebra a beleza e a dor do amor.
Lêdo Ivo
Opiniões:
Belo desde o título e as sugestões nele contidos, que apontam para múltiplas considerações de ordem existencial e remetem a outras de cunho literário.
Mas é o ritmo. A emoção do ritmo que dá a Lampadário a altura em que é soberano. O livro tem essa pureza das coisas altas (...)
E aí estão reunidos dando ao livro a precisão do corte e a verbalização desses belos poemas.
Marco Luchesi

3 comentários:

Assis de Mello disse...

Oi Denise,
Faço questão de ser o primeiro a deixar um comentário em seu blog.
Carrego você e todo o seu trabalho- extremamente competente e versátil- no coração, por todo lado que vou.
Tenho todos os seus livros e dois dos seus CDs. Adoro ouvir sua música quando saio para fotografar. Alguém duvida que sou seu tiete ?
Super beijo, alpinista de beleza rara, seja bem-vinda ao mundo dos blogs. [Estou colocando um link do Coisas do Chico para cá]
Chico (Assis de Mello)

Arthur disse...

Opiniões:
(...)Na lição de uma arte poética pura e segura eleva-se uma voz inconfundível, a de Denise Emmer. Ao mesmo tempo magoada e confiante,ela celebra a beleza e a dor do amor.
Lêdo Ivo

Opiniões:
Belo desde o título e as sugestões nele contidos, que apontam para múltiplas considerações de ordem existencial e remetem a outras de cunho literário.
Mas é o ritmo. A emoção do ritmo que dá a Lampadário a altura em que é soberano. O livro tem essa pureza das coisas altas (...)
E aí estão reunidos dando ao livro a precisão do corte e a verbalização desses belos poemas.
Marco Luchesi

Alexandre B disse...

Querida Denise, sinto-me horando por pertender ao seu espaço. Sou-lhe imensamente grato. Não sabia que você tinha cds. Você sabe como eu os encontro? Receba o meu abraço repleto de admiração e carinho. Alexandre Bonafim.